sexta-feira, 6 de novembro de 2026

O tempo passou… eu também!

Não sei exatamente quando parei de escrever. Tampouco me lembro de ter decidido parar. Acho que essas coisas simplesmente acontecem. Um dia a gente escreve sobre a vida e, no outro, está ocupado demais tentando vivê-la. Ou sobreviver a ela, dependendo da semana.

Quase treze anos se passaram desde que publiquei um texto neste espaço. Treze anos! É tempo suficiente para mudar de opinião, de endereço, de sonhos e, eventualmente, de juízo. Este último, confesso, não sei se consegui conservar.

Resolvi reler algumas coisas que escrevi por aqui. Foi uma experiência curiosa. Encontrei alguém que conheço muito bem, embora já não tenha tanta certeza de quem seja. Um sujeito que tinha suas convicções, suas dúvidas e uma necessidade quase inconveniente de transformar pensamentos em palavras.

Algumas ideias me fizeram sorrir. Outras, levantar uma sobrancelha. Houve momentos em que pensei: “Eu realmente escrevi isso?”. E outros em que a pergunta foi ainda mais desconcertante: “Como é possível que eu continue pensando exatamente assim?”.

O tempo tem dessas coisas. Muda nossas circunstâncias, reorganiza nossas prioridades, apresenta pessoas, leva outras embora e, quando percebemos, já somos uma versão consideravelmente diferente daquela que imaginávamos ser definitiva.

O mais engraçado é que a gente envelhece sem perceber. Não existe uma cerimônia oficial anunciando que a juventude ficou para trás. Ninguém entrega um certificado de maturidade. Aliás, se entregassem, provavelmente eu teria alguma dificuldade para comprovar os requisitos.

E, no entanto, aqui estamos.

Não vou dizer que amadureci, porque isso seria assumir uma responsabilidade desnecessária. Aprendi algumas coisas, desaprendi outras e continuo cometendo erros que, a esta altura, já deveriam ter perdido a graça. Mas não perderam. Pelo menos não todos.

Também não vou afirmar que hoje sou melhor do que era. Essa mania de considerar nossa versão atual superior às anteriores me parece um tanto arrogante. O sujeito de 2013 fez o que pôde com aquilo que sabia, sentia e tinha à disposição. O de 2026 não faz muito diferente.

Talvez a maior mudança esteja na relação com o tempo. Antes, eu pensava muito no futuro. Hoje, penso também no que ficou pelo caminho. Não necessariamente com tristeza ou arrependimento. Há coisas que precisam ficar onde estão. Outras merecem uma visita ocasional, desde que não resolvam voltar conosco.

E há aquelas que nunca foram embora.

Escrever, aparentemente, é uma delas.

Não sei se voltarei a publicar com frequência. Não vou prometer textos semanais, reflexões profundas ou qualquer espécie de compromisso literário. Já tenho compromissos suficientes para acrescentar mais um à lista.

Talvez este seja apenas um texto perdido entre tantos outros. Talvez seja o começo de uma nova fase. Talvez eu desapareça novamente por mais treze anos. Nesse caso, espero que o Blogger ainda exista e que eu consiga lembrar a senha.

Por enquanto, basta saber que, apesar de tudo, ainda tenho alguma coisa a dizer.

E, para infelicidade de alguns, continuo disposto a dizê-la.

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