domingo, 25 de junho de 2017

Elite branca

Não sou de discutir política por aqui, quem me acompanha nas redes sociais sabe muito bem disso. Para brincar de discutir política eu uso o Twitter ou o Facebook.  Estava pensando em escrever um texto sobre "acomodação", mas mudei de ideia. Não vou me furtar de discorrer sobre o que me aconteceu numa dessas discussões em que ninguém tem razão e todos estão certos.
Num lindo dia de verão [ok, não precisa ser tão romantizado]. Em uma discussão sobre um tema controverso, político-social do momento, uma criatura dessas que gosta de se colocar como vítima de tudo e de todos me classificou como "elite branca". Evidente que eu não quis estender a conversa. Existem pessoas que vale a pena discutir qualquer tema, inclusive política. São seres iluminados, que sabem argumentar e ouvir os teus argumentos também. Admiro pessoas com esse nível de inteligência e maturidade. Infelizmente, existem algumas outras (muitas) que a gente concorda ou diz "ahã" para encerrar logo a conversa. Esses tipos costumam levar a discussão para o lado pessoal e geralmente acabam por apelar. Não tem a menor condição de dialogar sobre nada controverso, pois até mesmo um "bom dia" pode ser polemizado. Não vou me estender sobre as diferenças entre essas pessoas e certamente você conhece pelo menos uma pessoa que se encaixa em cada um desses perfis.
Enfim... o fato que quero mencionar é que, para tentar refutar meus argumentos, o melhor argumento foi me chamar de "elite branca". De imediato apenas consegui responder que ainda não sou elite, mas estou batalhando para isso.
Oras... é impressão minha, ou para essa geração é um problema, um pecado capital alguém crescer na vida e ocupar o topo da pirêmide social, sendo elite?
Além disso, existe uma "elite branca" e uma "elite preta"? (Usando a contraposição das cores para não gerar mais reclamações). A primeira dessas elites seria a vilã e a outra a mocinha? 
Fico a pensar: elite branca como ofensa ou forma pejorativa de tratar alguém... Se fosse elite preta seria elogio?
Me reporto à indagação que faço sempre que ando de ônibus: a que ponto chegamos?
Infelizmente essa é a geração dos estereótipos, das generalizações, do politicamente correto, dos preconceitos e "fobias". O problema é que são estereótipos bizarros, tanto quanto o que consideram "politicamente correto" . 
Acaso estaria eu cursando faculdade pela terceira vez para ser base da pirâmide social? Não!! Eu luto para estar no topo mesmo. Tenho minhas ambições. Minhas perspectivas não se resumem a estagnar no tempo e reclamar, conjecturando "se's" (SE eu tivesse me esforçado; SE eu tivesse estudado mais; SE eu tivesse...) Quero muito ser elite. No momento, não sou "filhinho de papai". Agradeço muito a meus pais por toda a dedicação e tudo o que fizeram e fazem por mim. Mas eu sei o quanto eles batalham e o quanto abrem mão de coisas para eles mesmos em benefício meu e da minha irmã. Não é gratuito. Além disso, tenho um emprego, trabalho para manter minhas contas pagas. E espero muito não me acomodar nesse emprego. Embora esteja acima da média brasileira, não pretendo me nivelar por aí. Tão logo apareça um emprego melhor, abraçarei com toda convicção.
Para que fique claro (no sentido de compreender e não "branco", sem ironias) não me senti ofendido com o tratamento "elite branca". O que me intrigou é justamente não compreender como ascensão social, profissional ou pessoal [ser elite] somada à cor da minha pele [branca] pode ser considerada uma ofensa. E o pior, não uma ofensa qualquer, mas um argumento suficiente para refutar ideias contrárias.
Não sei se as pessoas realmente pensam sobre o que afirmam. Me parece óbvio que não!
É evidente que eu entendo o quanto, ao longo da história da humanidade, determinadas elites foram prejudiciais, usurparam, escravizaram, tiraram proveito de formas ilícitas ou até mesmo legitimizadas. Mas o que dizer, por exemplo, da assim chamada "elite intelectual"? É tão pejorativa quanto essa "elite opressora"?
Ser elite não é problema. O problema é não ter argumentos, apelar e generalizar.

Para encerrar [já ficou chato], peço muito a Deus que abra caminhos, me ilumine e me ajude a chegar de fato a ser elite. No que depender de mim, farei o possível para que isso se concretize.
Imagem relacionada
[estou com preguiça para corrigir o erro de digitação "eleite" na imagem. É mais prático escrever essa frase justificativa]

domingo, 13 de novembro de 2016

"Na minha época"

Começar com um título "na minha época" só pode remeter à nostalgia da minha infância feliz. Talvez! Apesar de não poder reclamar da minha infância, é um verdadeiro milagre que a minha geração tenha dado certo ou, pelo menos, tenha sobrevivido.
O mundo passou a ficar chato após a virada do milênio. Não sei que raios pode ter acontecido, mas o tal "bug do milênio" transformou a humanidade.
Para quem não conheceu a expressão, se acreditava que ao chegar o ano 2000 todos os sistemas digitais e tecnológicos sofreriam um verdadeiro bug, uma vez que trabalhavam com datas de dois dígitos e o 00 remeteria ao retorno do início do século XX. Não seria apenas um problema de data, mas os sistemas financeiros calculariam juros negativos, investidores e empresas iriam à falência, o bug causaria sérios problemas econômicos e daí por diante. Fato é que nada disso aconteceu. Ao menos não do ponto de vista econômico! No entanto, aconteceu alguma coisa com a humanidade. Usando uma expressão atual, as pessoas ficaram mais "mimizentas".
Quem teve a infância e a adolescência entre os anos 1980 e 1990 sabe muito bem do que eu estou falando.
Na minha época era comum brincar na chuva. Lembro, inclusive, que minha mãe algumas vezes me colocava na chuva para brincar. Isso era saudável. Hoje, quem tomar uns pingos de chuva já pega uma pneumonia das brabas.
Resultado de imagem para crianças brincando na ruaEra comum brincarmos na rua até escurecer e até mesmo depois de escurecer. Não faço ideia de quantas vezes ouvi minha mãe gritar meu nome, mandando entrar que já estava escuro. Não tinha carro preto ou dois elementos em uma moto tocando terror e podíamos brincar tranquilamente sem medo de sequestro, assalto ou qualquer coisa do tipo.
Sou do tempo em que as músicas infantis eram absurdamente politicamente incorretas. Quem lembra do "nana neném que a Cuca vem pegar. Mamãe foi pra roça e papai foi trabalhar"? Ou, "atirei o pau no gato, mas o gato não morreu. Dona Chica admirou-se do berro que o gato deu"? Outra bem conhecida dizia "boi, boi, boi, boi da cara preta, pega essa criança que tem medo de careta".
Ora, eu tenho que ficar sozinho em casa, meus pais saíram e a Cuca ainda vem me pegar. Dormir como?? Achavam bonito estimular os maus tratos ao animais? O pior era a tal ad dona Chica observar admirada, sem tomar providência alguma. Para terminar, eu, bebê, tenho que gostar de caras feias, senão um boi preto vem me pegar.
Certamente, hoje nossos pais seriam denunciados ao Conselho Tutelar por abandono de incapaz, incentivo à violência, negligência e maus tratos com crianças.
Mas sobrevivemos... 
Resultado de imagem para crianças brincando na ruaSubíamos nas árvores mais altas; seja para brincar, como também para fugir dos nossos pais. Teve uma vez que um grande pé de ameixa serviu como refúgio para minha melhor amiga e eu. Na ponta daquela árvore observávamos nossas mães, ao chão, com uma varinha na mão nos chamando para descer. Lembro que cheguei em casa depois da Dani e, com certeza, só não apanhei porque minha mãe ouviu o choro de dor das varadas que ela tomou e ficou com pena. Dei sorte de ter demorado um pouco mais e por morarmos bem perto. Mas fiquei com pena e com medo de que acontecesse o mesmo comigo.
Não tínhamos medo de pessoas desconhecidas e as leis eram menos rigorosas. Quando eu tinha 13 anos, viajei com minha irmã e uma prima para visitar uma tia que morava em outro Estado. Eu, do alto dos meus 13 anos, sendo responsável por uma viagem de Santa Catarina ao Paraná, cuidando da minha prima de 11 anos e minha irmã de 9. Quanta irresponsabilidade (dos nossos pais, óbvio). Só sobre essa viagem renderia um texto completo. Naquela época, nem existiam celulares ainda. Se existiam, eram aqueles "tijolões", que só serviam para fazer ligação mesmo. As fotos eram tiradas em câmeras com filmes que eram revelados depois. Na frente da casa da minha tia tinha uma lombada. Minha prima de 11 anos parava os carros na lombava para tirar fotos dos motoristas em uma câmera sem filme! E os motoristas paravam, sorriam, buzinavam e continuavam... sem riscos, sem "mimimi", sem maiores problemas.
Foi nessa mesma viagem que minha irmã e minhas duas primas me trancaram num quarto com uma menina surda tarada. A vizinha!!! Enquanto eu tomava banho, fecharam a porta, levaram a chave, e deixaram a menina esperando eu sair apenas de toalha. Assim, eu, um garoto de 13 anos e a vizinha de 12 pudemos conversar tranquilamente sobre política, religião, futebol e ainda estudamos a fórmula de Bhaskara (xis igual menos bê, mais ou menos raiz quadrada de bê ao quadrado menos quatro a, cê, sobre dois a).
Na minha época, também, tinha um campinho de futebol bem perto de casa. Todos os dias eu ia jogar com alguns amigos. O jogo só acabava quando escurecia e não dava mais para enxergar, ou quando me irritavam. Nesse caso, eu simplesmente pegava a bola e ia embora. Como era bom ser o dono da bola naquele tempo!!! Eu nunca perdia. Eles sabiam que se eu perdesse de muitos gols, eu terminava o jogo.
Usávamos a imaginação de verdade. Uma grande vara de bambu se transformava num lindo cavalo de corrida. 
Resultado de imagem para crianças imaginaçãoNa minha época, quem tinha caixa de lápis de cor com 36 cores dominava a escola. Isso sim era ostentação. Praticávamos e sofríamos bullying e ninguém ficava com peninha ou reclamando.

Que época... que geração!!
Tenho verdadeiro orgulho das cicatrizes que carrego, das marcas dos pontos levados na testa e no queixo, como herança dessa minha época.
Uma pena essa geração atual apenas ouvir falar de um mundo tão colorido e tão mais divertido.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

É preciso falar sobre amizades

Diz a canção que
Amigo é coisa para se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção que na América ouvi
Mas quem cantava chorou
Ao ver o seu amigo partir
Mas quem ficou, no pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou, no pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou

Quando eu estudava na quinta série [sim, sou da época que se chamava série e não ano] ganhei uma medalha do meu melhor amigo. Seu avô teria ganho aquela medalha por ter lutado na Segunda Guerra Mundial. Era um objeto com um valor sentimental muito intenso, que recebi como símbolo de uma amizade sincera e verdadeira.
Nos distanciamos, a vida nos definiu rumos diferentes e o destino nos afastou. Hoje, não sei se o meu "melhor amigo" da quinta série está casado ou solteiro como eu, em que lugar está morando, não sei em que área trabalha. Nem sequer sei se está vivo ou morreu, a exemplo de alguns outros amigos da mesma época.
Quantas amizades você já imaginou que seriam para a vida inteira e hoje vocês sequer conversam? Quantos exemplos você consegue enumerar de pessoas com quem você trocava confidências, os seus mais íntimos segredos, e hoje são verdadeiros desconhecidos? Ou, ainda, quantas pessoas se distanciaram de você ou você delas pelos motivos mais fúteis?
É preciso falar sobre amizades... esse sentimento estranho que em um momento está aceso, intenso e o tempo ou outras circunstâncias acabam esfriando.
Nenhum ser humano é uma ilha. Nós precisamos de pessoas que andem ao nosso lado "nessa longa estrada da vida". A presença desses seres ilustres, verdadeiros anjos na terra, tornam essa caminhada mais alegre, mais leve, mais significativa.
Precisamos de pessoas, além da nossa família, que nos encorajem nos momentos difíceis, que chamem a nossa atenção quando cometemos algum deslize ou pisamos na bola. As conquistas têm um gosto muito mais especial quando compartilhadas com outras pessoas e as dores ou angústias se tornam menores quando divididas, também.
É bem verdade que, muitas vezes, acabamos depositando confiança ou criando expectativas demasiadas sobre as pessoas; ou elas sobre nós. Amizade é uma palavra importante demais para ser usada com qualquer pessoa que compartilha algum momento da nossa vida. O grande problema é que nos deixamos levar pela emoção das impressões. Conhecemos alguém, estabelecmeos uma relação de afinidade e no mesmo instante classificamos esse conhecido ou colega como "amigo".
Talvez as redes sociais tenham influenciado essa nossa atitude. A pessoa curte alguma publicação nossa, seja uma foto, uma opinião ou por achar "interessante" nos envia uma solicitação de amizade (ou vice-versa). Imediatamente a pessoa é adicionada à nossa lista de "amigos". Talvez, ainda, a língua portuguesa falhe por não existir uma palavra que melhor defina esse "purgatório social", um estágio um pouco mais que conhecido e um pouco menos que amigo, no sentido legítimo da palavra. Com isso, acabamos criando a ilusão de termos muitos "amigos".
Por falar em redes sociais e amizades, desde que publiquei selfies e manifestações de apoio a um político controverso no cenário brasileiro, muitos desses "amigos" me excluíram das suas redes sociais. Algumas pessoas, com as quais tenho a insatisfação de ainda ter que conviver na vida real, chegaram a me bloquear nessas redes. Isso de forma alguma me abala ou me incomoda. Temos que aprender que amizade não é definida apenas pela convivência. As pessoas com as quais convivo não são necessariamente meus melhores amigos. Por motivos de estudo, trabalho ou outros fatores, somos obrigados a conviver. Não escolho meus amigos (no sentido real da palavra) por torcerem pelo Grêmio (e eu lembro dos "amigos" de Porto Alegre, no tempo do Orkut, quando íamos para o estádio assistir aos jogos nas tardes de domingo), nem por motivos religiosos ou ideológicos. Essas relações traduzem afinidades, mas não estabelecem necessariamente uma amizade. O problema é que falta uma palavra que defina essa relação com maior propriedade.
Para mim, amizade não é algo que se escolhe, mas sim, se estabelece. Como? Pois bem, eu não escolho uma amizade como alguém escolhe um pedaço de carne no açougue ou um perfume, pelo cheiro. A amizade propriamente dita se estabelece a partir do caráter, do comportamento, da reciprocidade e do papel que essas pessoas têm na minha vida. É um processo de construção! Isso explica o fato de muitas pessoas irem, enquanto outras tantas ficam na minha vida, independente da distância geográfica.
Por isso, mesmo que eu tenha um perfil no Facebook, por exemplo, com cerca de 5 mil "amigos", a imensa maioria dessas pessoas não passa de "apenas conhecidos" e, conscientes disso ou não, eu também não passo de apenas um conhecido para elas também. O vai e vem (adição e exclusão) em redes sociais é algo natural para mim. Entendo bem e sei quem são as pessoas que têm alguma importância na minha vida; quem são as pessoas que eu apenas convivo, quem eu conheço e quem eu de fato considero amigo e carrego do lado esquerdo do peito.
Não é feio ou errado classificar ou rotular as pessoas nesse sentido. Feio é criar expectativas (em nós ou nos outros) e acabar "quebrando a cara". Assim como não é difícil conhecer pessoas, a questão é fazer com que fiquem na nossa vida pelo que somos ou apesar do que somos. Esses sim são os verdadeiros amigos.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Legado

Se você morresse hoje, que legado você deixaria?
Quem, ou quais pessoas sentiriam a sua falta de verdade?
Não é estranho que a morte, sendo a única certeza que temos nessa vida, é uma das coisas que menos sabemos lidar?
Me parece que não sabemos lidar com a morte porque ainda não aprendemos a lidar com a própria vida. Temos o hábito de protelar nossos afazeres, relegar coisas importantes a segundo plano e deixar tudo para mais tarde, quando sobrar um tempinho.
Agimos da mesma forma com as pessoas. Vivemos ocupados demais para mandar uma mensagem de OI, não tiramos mais tempo para uma boa conversa olho a olho. Nossas conversas, quando acontecem, se tornaram superficiais e rasteiras. Não temos (ou não tiramos) mais tempo para aproveitar a vida como deveríamos ou poderíamos.
Não sabemos lidar com a vida ou não nos organizamos para viver? Quando nos deparamos com o fato que ela pode acabar imediatamente, ficamos assustados, perplexos ou sem reação. A verdade é que não estamos preparados, não terminamos de organziar tudo o que deixamos para depois.
Qual foi o último abraço apertado sem motivo (sem ser por força de uma data especial) que você deu?
A correria rotineira nos impede de aproveitar a vida com mais intensidade. Estamos tão ocupados ou atarefados que deixamos os momentos de descontração ou lazer para aquele conhecido "se der tempo". E se o tempo acabar e não der mais tempo?
Existe uma frase que diz que "dessa vida só se leva a vida que se levou". Também, existe uma música conhecida cujo refrão diz que "é preciso saber viver".
Sabemos de fato aproveitar a vida em toda sua intensidade?
Estamos deixando um legado positivo para os que terão que conviver com a nossa ausência?
Não tenho todas essas respostas; confesso que não sei essas respostas sobre a minha própria vida. Assim como não sei o que dirão na minha ausência, embora confesso que gostaria de ficar para saber. Espero, sinceramente, que se não disseram "olha, ele está respirando", dentre tudo o que for dito, alguém afirme que eu soube aproveitar a  vida. Ao menos estou me esforçando para isso.

sábado, 23 de julho de 2016

Confidências

Me descobri sensível... e percebi que ainda consigo chorar!
Sim, a frustração das férias não aproveitadas e a primeira cirurgia de fato revelaram um lado que, se sabia da existência, fazia o possível para esconder: fragilidade, carência, dramas, vulnerabilidade.
Nunca tive uma saúde perfeita. Na verdade, talvez por nascer um pouco antes do tempo e abaixo do "normal", meu organismo nunca foi dos mais fortes. Para piorar, eu pouco colaboro com minha própria saúde.
Apesar de diversas idas e vindas a hospitais, somente em função de uma apendicite me vi diante da primeira cirurgia. Medos, dores, pontos, a frieza do ambiente hospitalar, a primeira internação por tantos dias, tudo isso revelou um quadro até então ignorado por mim. 
Mesmo que eu demonstre ser um adulto frio, insensível e, sobretudo, forte, mantenho viva a criança birrenta e dramática.
Chorei por não poder curtir as férias com minha família e em especial com o meu sobrinho, como tinha planejado.
Me comovi com a preocupação e o cuidado de pessoas que eu não imaginava poder contar de uma maneira tão intensa. Meus olhos se enxarcavam a cada mensagem recebida, diante do carinho, da preocupação e da atenção de tantas pessoas que eu tenho certeza que eu nunca soube reconhecer e valorizar da melhor forma.
É cruel ter que depender de outras pessoas até mesmo para poder me levantar de uma cama...
Naquele hospital, as constantes agulhadas nos braços certamente doíam muito mais na alma. Revelando tudo o que eu sempre tentei esconder nas cascas da frieza, de certa arrogância, talvez.
Seria mais um drama por ter que passar o curto recesso num hospital, distante da família? Ou seria o choque de realidade que eu precisava?
Fato é que esses pontos no abdômem, quando se tornarem apenas mais uma cicatriz, certamente me farão lembrar que ainda sou sensível, frágil, dramático e, principalmente, choroso. Uma marca cruel e dolorosa, a apontar a verdade que eu desejaria manter desconhecida.

domingo, 19 de junho de 2016

Laboratório da Vida

Dia desses estava conversando com um aluno ao final da aula. Passamos um bom tempo conversando sobre como transformei a vida em laboratório e passei a analisar e testar as pessoas com as quais convivo. Ele, de uma ideologia de esquerda. Eu, de direita. Mantendo uma conversa agradável e sadia.
Alguns fatos importantes a mencionar: recentemente, adicionei algumas fotos com o deputado Bolsonaro nas minhas redes sociais, especialmente Instagram e Facebook. De imediato, algumas dezenas de pessoas passaram a me excluir do seu círculo de amizades.
Confesso que já esperava essa reação e não me causou nenhuma surpresa. Não sei quem são as pessoas que me excluíram, pois ainda não senti falta e não parei para verificar quem são. Do ponto de vista afetivo/emocional, portanto, nenhuma perda. Sob o ponto de vista numérico, menos ainda, uma vez que havia uma lista de pessoas para aceitar e não podia fazê-lo, pois havia atingido o limite máximo no número de amigos.
Outro dia, ainda, fui à universidade com a camiseta do mesmo Bolsonaro. O número de elogios e a receptividade foram muito superiores às críticas ou olhares de reprovação.
Não tenho que justificar ou explicar os motivos que me levam a apoiar o deputado Bolsonaro. Assim como não me interessam os motivos pelos quais outras pessoas apoiam e defendem o Lula ou a Dilma, por exemplo. Parto do pressuposto constitucional de liberdade de opinião e expressão.
No entanto, considerando o atual cenário brasileiro, diante da crise política instaurada, tem sido um exercício bastante interessante transformar a vida em laboratório e observar as pessoas e suas reações.
A luta por respeito e por tolerância, o respeito às diferenças e à diversidade numa sociedade tão diversa como a brasileira, tem mostrado uma face cruel e preocupante. Aqueles que mais lutam ou que mais clamam por respeito, são os que menos toleram e menos respeitam a opinião contrária. É evidente a contradição entre discursos e práticas.
Nessa "brincadeira" ouvi frases do tipo:
- Ah, mas eu não suporto o deputado Bolsonaro! Ah, mas ele é machista, fascista, homofóbico. Não merece meu respeito.
Diante dessa situação, passei a me questionar ainda mais. Existem, nessa lógica que não consigo concordar, pessoas que merecem respeito e outras que não merecem respeito. Seria lógico, então, que do outro lado as pessoas pensassem da mesma forma; existem pessoas da esquerda que não merecem meu respeito. E, assim, criamos uma rede de respeito e tolerância apenas aos que concordam com as minhas convicções ou as minhas opiniões.
Hipocrisia? Intolerância? Conveniência? Um pouco de cada, infelizmente.
É fácil respeitar quem concorda comigo. É cômodo tolerar quem tenha as mesmas opiniões que eu. O exercício que se coloca, a grande dificuldade é aceitar e respeitar o diferente.
Na verdade, essa questão do respeito às diferenças é uma problemática histórica. Quanto mais essas diferenças forem ignoradas, mais pessoas à margem e mais excludente será a sociedade. A igualdade que tentam inventar torna a sociedade massificada. Todos pensando da mesma forma, todos agindo da mesma forma e as individualidades sendo anuladas.
Na contramão dessa massificação, continuo lutando pelo reconhecimento e pela valorização das diferenças. Sejam opiniões diferentes, gostos diferentes, estilos e jeitos também diferentes, necessidades e particularidades específicas, que não podem e não devem ser desconsideradas ou eliminadas.
A sociedade é diversa e assim deve continuar sendo.
Nesse laboratório que criei, sigo me divertindo, surfando feliz na crista das ondas desse tsunami que chamo de vida!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A força de uma "playlist"

Mais uma vez cai a noite e me pego reproduzindo a velha playlist de músicas "chorosas". Sim, esse de fato é o nome atribuído àquela lista de músicas que conseguem me tornar um pouco mais sentimental. Que mexem com minhas emoções e afloram uma série de sentimentos e, como não poderia deixar de ser, pensamentos diversos.
Seria exagero afirmar que cada um de nós tem uma música, ou coletânea delas, que mexe com sentimentos? Sem ser generalista e sem entrar nas possíveis exceções, falo por mim. A música tem esse "poder" de despertar emoções, sejam lembranças boas, frustrações, decepções, alegrias, tristezas, fatos ou circunstâncias, pessoas ou lugares.

A velha playlist, tantas vezes rodada, misturando gêneros, artistas e ritmos traz algo em comum: o tom melancólico.

Dessa vez, parei para refletir. Não espero ser compreendido. São conclusões minhas e que eu apenas compreendo, sem muita capacidade de explicação. Nem sempre gosto da lógica dos fatos. No entanto, percebo que estou no lugar errado, mas entendo que este é o lugar certo! Tudo está errado, mas não há o que mudar. O meu lugar é o "não-lugar".
Para além das minhas divagações, fico impressionado com a força dessa playlist. As músicas tão batidas, incessantemente repetidas me fazem viajar em pensamentos, lembranças, desejos, melancolias.
Por um instante fico triste ao pensar que o melhor da minha vida está no passado. Imediatamente trato de me corrigir: não posso reclamar, uma vez que não há do que reclamar. Confuso? Talvez, mas não para mim. Logo a tristeza dá lugar ao convencimento, um certo conformismo de que, ainda que o passado não volte, as lembranças e mais do que apenas lembranças, a certeza e a convicção de que todos aqueles momentos foram devidamente bem aproveitados, me confortam.
Ora, se as músicas me permitem viajar em meus devaneios, retornando a lugares, rememorando pessoas e momentos vividos, me fazendo assistir novamente esse filme sem roteiro definido e com direção errática, a única conclusão possível é que tudo valeu a pena. Não sei se faria tudo exatamente da mesma forma, também não estou preocupado com isso. Apenas me permito aproveitar essa "viagem".
A velha playlist abriu, mais uma vez, o empoeirado baú de memórias. E, mais uma vez, eu viajei!!!

segunda-feira, 25 de maio de 2015

A gente se acostuma

A gente se acostuma com a distância. Se acostuma com a ausência e até com a saudade.
Não sei se isso é bom ou ruim, errado ou certo.
Mas a gente se acostuma até mesmo com a frieza e com a falta de educação.
É estranho, mas a gente se acostuma com respostas prontas e esquece de pensar, de refletir e de entender.
É fácil se acostumar. Difícil é encarar algo diferente, que desafie nosso comodismo.
A gente já se acostumou com ônibus lotado, trânsito lento, motoristas apressados cortando passagem.
Brasileiro já se acostumou até com a corrupção; sempre dá um jeitinho de levar vantagem, furar uma fila, comprar produto falsificado mais barato, não pedir ou emitir nota fiscal e até mesmo falsificar assinatura ou assinar pelo colega. Isso é normal, é parte da nossa rotina, todo mundo já fez ou ainda faz. A gente se acostumou.
Aliás, a gente se acostuma até com o café insuportavelmente doce no ambiente de trabalho.
Por incrível que pareça, até com a violência a gente já se acostumou. Quem ainda fala da menina Isabella Nardoni? Já se vão sete anos. E o garoto Bernardo Boldrini? Esse caso foi mais recente, 2014. Por mais que tenham nos comovido à sua época, a gente se acostuma e com o tempo esquece ou releva.
É cômodo se acostumar. É conveniente, talvez.
Eu poderia passar horas falando sobre tudo o que já estamos acostumados. Quem lê todas as condições de uso de um aplicativo ou programa baixado? Mesmo assim aceitamos e instalamos. Nos acostumamos, ainda, a pagar três reais por algo que custa dois e noventa e nove. Ou nos acostumamos a aceitar balinha de troco.
Triste, ainda, é perceber que a gente se acostuma com o fato de que, para nosso benefício, ou para atender aos nossos interesses, as regras podem ser mudadas, violadas, negligenciadas ou até mesmo ignoradas.
É parte da condição humana se acostumar. Alguns, mais otimistas, chamam de "capacidade de adaptação". Ok, fica mais bonito dizer dessa forma.
E, do alto do nosso comodismo, ou dessa capacidade de adaptação, a gente se acostuma a ver, apenas assistir, àqueles que não se adaptam ou não se acostumam fazendo história, "fazendo acontecer".
E assim, nos acostumamos a reclamar da segunda-feira, a resmungar a mesmice da nossa rotina chata. Nos acostumamos a esperar dias melhores, mas não nos lançamos a conquistá-los.
Sartre foi sábio ao perceber que "o pior mal é aquele ao qual nos acostumamos".
A vida é - ou deveria ser - intensa demais para nos acostumarmos à mesmice e a um único tom!

sábado, 9 de maio de 2015

Para o dia das mães

Por mais clichê que seja, é dia das mães e escrever sobre e para a minha mãe é fácil. Sempre tive na
minha mãe a minha melhor amiga. Não como um filho que tem que dar satisfação de seus atos, mas como um amigo que compartilha angústias e conquistas, tristezas e alegrias, medos e coragens.
Sabe aquela máxima que diz que mãe sabe de tudo? Então, a minha sempre soube. Ainda que eu tentasse esconder, parece que mãe tem um poder sobrenatural de saber o que a gente pensa e o que a gente faz.
Lembro que na adolescência, escondia cuidadosamente as carteiras de cigarro no meio das minhas roupas. Sempre que voltava para o meu quarto, a carteira me olhava sorrindo sobre minha cama, como que debochando da minha cara. Era o aviso de mãe: EU SEI O QUE VOCÊ FAZ E NÃO ADIANTA ESCONDER. Depois do recado silencioso, a pior parte era o sermão.
Em geral, mesmo sem dizer uma palavra, minha mãe sempre soube dar o recado. Foi assim que ela acabou me convencendo que eu não tinha como nem sequer motivos para esconder alguma coisa. Pelo menos não para ela. E assim nos tornamos cúmplices, de certa forma. Não que ela encobrisse minhas besteiras, mas ela sempre sabia. Ela sempre sabe!!!
E o que falar dos bilhetinhos na geladeira de "me acorda tal hora"? Até hoje funcionam...
De tantas histórias que eu poderia contar aqui, uma cena que eu nunca vou esquecer e que até hoje enche meus olhos, sem a melodia do sertanejo, mas que realmente me marcou, foi o dia em que saí de casa. Ainda que ela não dissesse "filho vem cá", como na música, lembro bem de quando meus pais foram me deixar na rodoviária. Já se vão 15 anos e ainda é uma cena emblemática. Ela permitiu que eu sentasse no banco da frente, com meu pai dirigindo e ela no banco de trás. O silêncio reinava dentro do carro. De vez em quando eu olhava pelo espelho retrovisor e via os olhos da minha mãe cheios de lágrimas. De alguma forma e por mais estranho que pareça, aquilo me fazia bem. Era prova de um amor sem limites.
No entanto, é a lei da vida. A gente cresce e toma o mundo. Até hoje não sei se foi uma decisão acertada ou não. Tem horas que penso que sim, mas tem horas que me bate uma dúvida...
Mãe, eu queria escrever um texto "bonitinho" para te homenagear. Mas acredito que o texto mais bonito já foi escrito pela própria vida ou, como eu sei que você prefere, por Deus. Ele escreveu a história de uma mulher pequena no tamanho, mas gigante na força, na coragem, na determinação e, sobretudo, no amor.
Você carrega uma história triste, mas que exalta ainda mais a tua força. Você perdeu a mãe cedo, sendo ainda uma criança, e quando se tornou mãe, ainda sentiu a dor de perder a primeira filha. Você é mais religiosa que eu, entende melhor o sentido das provações na nossa vida. Certamente isso tenha feito de você uma mulher ainda mais forte e uma mãe e esposa ainda mais dedicada.
Queria que Deus, o autor desse enredo que chamamos de vida, me explicasse de onde você tira tanta paciência para aguentar os meus dias de estresse e mesmo nesses dias, manter a voz carinhosa e amável. De onde vem tanta força para deixar os teus problemas e as tuas preocupações de lado e se dedicar inteiramente às preocupações e aos problemas dos teus filhos? Como um ser humano consegue ser tão forte e tão doce ao mesmo tempo?
Como minha melhor amiga, mãe, é sempre para o teu colo que eu corro. Ainda que distante, é na tua voz que eu busco força e coragem. Você sabe - e eu sei que você sabe - que muitas vezes ligo apenas para ouvir tua voz e me sentir um pouco mais protegido. Assim como sabe que algumas vezes eu finjo estar bem apenas para não dar mais preocupações, na verdade nunca é sério, mais manha do que qualquer outra coisa. No entanto, você também sabe que é contigo que eu compartilho todas as minhas alegrias e todas as minhas preocupações.
Eu não sei e nunca vou saber o que é o sentimento de mãe. Mas eu sei exatamente o que é o sentimento de um filho que sabe que tem uma super-mãe.
Muito mais que qualquer texto ou qualquer palavra, nesse dia especial eu só quero registrar a minha gratidão e o meu reconhecimento pela mãe que eu tenho. Com esse meu jeito marrento, confesso que não sei e nunca vou saber agradecer o suficiente por tudo o que você fez e ainda faz por mim.
Mãe, apenas saiba que tenho muito orgulho de ter você como mãe, como amiga e como exemplo. Mais uma vez não estou aí para poder te dar um abraço nesse dia especial. É mais uma vez a lei da vida e o seu preço. Mas receba, ainda que virtualmente, o meu carinho, o meu abraço, o meu amor, o me orgulho de ser teu filho e, principalmente, o meu muito obrigado. Você não apenas me deu a vida, como tantas outras mães fazem, mas você me ensinou a viver da forma mais digna possível.
FELIZ DIA DAS MÃES, com afeto e com saudade!!! TE AMO, MÃE.

sábado, 25 de abril de 2015

Segunda aula

Eu falhei!! Prometi ser assíduo aqui e postando com maior frequência, contudo fui displicente. Ainda que com um leve atraso, vamos à descrição do que e como foi minha segunda aula daquele que se tornou meu desafio. Em função de algumas atividades da escola na quinta e como a turma não tem aula na sexta-feira, essas duas foram minhas únicas aulas. 
Na quarta-feira, então, tivemos uma experiência diferente. E diferente, inclusive, para os meus paradigmas. Sempre defendi em minhas aulas a inclusão total; alunos com deficiência devem aprender junto com a turma regular. Por outro lado, sempre lembrei meus alunos que cada caso deve ser observado segundo suas particularidades. Nesse caso, a turma está em um nível de formar palavras e meu aluno não reconhece sequer as letras.
Enquanto esperava o sinal bater para o início das aulas, entre os goles de café, os mesmos pensamentos que me seguiram desde a primeira aula: como proceder? Já tinha pensado em todas as estrategias durante o dia... mas aquilo me atormentava. Estariam elas adequadas? Seriam o ideal? Decidi encarar a velha e conhecida fórmula tentativa-erro-acerto.
Sendo assim, para trabalhar o alfabeto e para que ele entenda o que é A, B, C...Z, consegui uma sala individual. Apenas ele e eu, repetindo, insistentemente, letra por letra, em português e em língua de sinais.
Enquanto ele fazia as atividades de preencher o alfabeto com as letras que faltavam, percebi o quanto sua aprendizagem é mecânica. Com a folha do alfabeto completo, copiava sem o menor problema. Sem essa ajuda, chegava, no máximo até o B.
Mudei a dinâmica. Alunos gostam de escrever no quadro. Parece que lhes confere certo poder, importância... na minha época de escola eu odiava ir pro quadro, mas percebi que ele ficou eufórico com a ideia. Trocamos de lugar e brincamos de ele-professor e eu-aluno. Copiou o alfabeto no quadro e passou a me mostrar os sinais correspondentes de cada letra. Mais uma vez, com a ajuda da folha, fazia perfeitamente. Sem essa ajuda, ficava totalmente perdido. Observar isso me fez entender que deixá-lo na turma regular não trará muitos benefícios, uma vez que ele insiste em apenas copiar o que a professora passa no quadro. A turma está na família da letra P (pato, pipoca, pé, pássaro). Ele sequer sabe o que é P.
Desde o início eu encarei essa tarefa como um desafio pra mim mesmo. Não tenho o dom da paciência e penso que jamais serviria para alfabetizar. Aceitei esse desafio por entendê-lo muito mais como um objeto de estudo sob o ponto de vista da comunicação, do que necessariamente do letramento.
Parece que vai ser mais difícil do que eu imaginei. Como ele não conhece LIBRAS e nem as palavras, fica complicado até mesmo explicar o que eu quero que ele faça. Escrever não adianta. Assim, ele apenas repete os movimentos das minhas mãos e me olha com um sorriso largo, que desconcerta minha falta de paciência.
Ao final, tentei mostrar as 9 letras do seu nome. Mas ele sequer sabe que tem um nome. Ou o que significa ter um nome. Ele identificou algumas com facilidade, outras, no entanto, confundiu completamente, chutando aleatoriamente. Ele sequer consegue perceber as letras repetidas em seu próprio nome.
Enfim, chegamos, sem confusões, à letra E. 
Não sei se é bom ou ruim. É difícil mensurar. Ensinar LIBRAS, por exemplo, para uma turma de universitários, alfabetizados, é muito fácil. O mesmo com a Educação Especial. Estava habituado a jogar discussões mais profundas com meus alunos. A tratar de "temas", legislação, práticas, não necessariamente de "letras".
Fato é que, enquanto esse "desafio" não conhecer as letras, não poderei tratar de formação de palavras. Infelizmente, faz falta uma sala de recursos durante o dia, para que ele possa aprender esses conteúdos naquele espaço e, à noite, acompanhar o ritmo da turma. Como isso não é possível, eu insisto em trabalhar individualmente com ele.
Terminei a noite exausto! Saí da escola pensando no quanto somos mecânicos e repetitivos em nosso cotidiano. Quantas vezes agimos sem pensar de fato no que fazemos. Não falo do ponto de vista da moral ou da ética. Mas do ponto de vista do instinto de fazer, sem entender de fato o que se faz. Enfim, isso é outra discussão, apenas um devaneio que me ocorreu enquanto observava meu "desafio" reproduzindo aqueles desenhos sem sentido, que comumente chamamos de letras ou, em seu conjunto, o alfabeto.
Pois bem, embora seja muito mais cansativo, não estou desanimado e não desanimarei tão fácil. Esse objeto de estudo, essa experiência ou esse "desafio", como defini, certamente me servirá (e muito) no futuro.
E eu sigo treinando os limites da minha própria paciência!!!